Debatedores fazem críticas pontuais a projeto que define diretrizes para a circulação de ciclistas e pedestres

Origem da Foto/Fonte: Agência Câmara Notícias
Participantes de audiência fizeram críticas pontuais à proposta, como o fato de que o texto é excessivamente detalhista. Já os ciclistas defenderam a proposta

20/06/2017 - 18h54

Debatedores fazem críticas pontuais a projeto que define diretrizes para a circulação de ciclistas e pedestres

 
Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o PL 6207/13, que dispõe sobre a circulação de pedestres e ciclistas
A Comissão de Viação e Transportes da Câmara reuniu especialistas para debater projeto que pode melhorar a segurança nas vias públicas, na avaliação dos ciclistas

Debatedores fizeram críticas pontuais à proposta de diretrizes para a circulação de ciclistas e pedestres (PL 6207/13).

Para os órgãos de trânsito e autoridades de mobilidade pública, que trabalham na execução e fiscalização das regras, o projeto de lei é excessivamente detalhista.

Já os ciclistas e representantes do mercado de bicicletas defenderam a proposta como forma de ampliar a segurança nas vias brasileiras.

O projeto de lei do ex-deputado Walter Feldman foi debatido nesta terça-feira (20) em audiência pública da Comissão de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados.

Debate técnico
Autor do requerimento para a audiência, o deputado Hugo Leal (PSB-RJ) considerou a proposta "louvável", mas afirmou que o texto carece de debate técnico. "Procura dar maior segurança à circulação de pedestres e ciclistas, mas o referido projeto de lei traz alterações sensíveis que impactam no Programa Minha Casa Minha Vida, na Lei de Mobilidade Urbana e no Código de Trânsito Brasileiro, incluindo o parcelamento de solo, as regras de circulação e de sinalização e outras questões que necessitam ser avaliadas, ouvindo-se especialistas no assunto", disse Leal.

Relator da proposta no colegiado, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ) afirmou que "são muito boas as críticas e as contribuições e eu as tomarei no relatório que farei". A proposta já foi aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano.

Ciclovias e ciclofaixas
No que diz respeito à priorização de ciclovias e ciclofaixas nos loteamentos do Programa Minha Casa Minha Vida, os representantes do Ministério das Cidades afirmaram que a maior parte das diretrizes previstas já consta de portarias ministeriais e de outros instrumentos legais.

O coordenador de planejamento normativo e estratégico do Sistema Nacional do Trânsito, Daniel Tavares, também ressaltou que algumas propostas carecem de prévio estudo técnico, sobretudo em relação à engenharia de tráfego e à sinalização cicloviária.

"Existem propostas que são muito bem vindas aqui. Há outras que têm mais o condão de chamar a atenção para a responsabilidade e para a condição do ciclista na via. Isso é importante, sim. Mas, de fato, majoritariamente, há propostas aqui que precisam de uma análise técnica um pouco mais aprofundada", afirmou.

Pequenos ajustes
Já a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), que reúne os fabricantes de bicicletas no País, citou leis e experiências de capitais europeias (Amsterdam, Berlim e Copenhagen) para defender a aprovação do projeto de lei e incentivar o uso das bicicletas na matriz urbana de transportes do Brasil.

O presidente da União dos Ciclistas do Brasil, André Soares, sugeriu pequenos ajustes no texto, como os que tratam de sinalização gestual e travessia da pista por meio de ciclofaixas. Mas, no mérito, Soares também defendeu a proposta.

"Nós achamos que é louvável a iniciativa do legislador. Primeiro, porque ele se preocupa com a inclusão de um setor social que tem sido a prima pobre no planejamento urbano. É positivo por transversalizar a bicicleta em outras políticas públicas que não sejam só aquelas específicas em relação ao trânsito", observou.

Segundo André Soares, o Brasil tem cerca de 80 milhões de bicicletas, mas apenas 4% delas são usadas no deslocamento do trânsito. Mesmo assim, o número de ciclistas mortos e feridos é elevado nas vias brasileiras. Apesar de já ter apresentado uma primeira versão de seu parecer, o relator, deputado Júlio Lopes, do PP fluminense, admitiu acatar algumas das sugestões técnicas, em busca do consenso.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Newton Araújo
Agência Câmara Notícias
 

 

Notícias

Registro no CAR não basta para impor recuperação de área desmatada

Sem vínculo Registro no CAR não basta para impor recuperação de área desmatada Karla Gamba 10 de maio de 2026, 14h20 O caso envolve uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Pará, na qual se atribuiu ao agravante e a outro réu a responsabilidade pela destruição de mais de 482...

Cobrança de IPTU é afastada em imóvel urbano com destinação rural

A César o que é de César Cobrança de IPTU é afastada em imóvel urbano com destinação rural 8 de maio de 2026, 7h31 O ente público alegou que a mera localização da área em perímetro urbano já autorizaria a incidência do IPTU, independentemente da efetivação de melhoramentos no local ou do...

Espólio pode buscar dano moral do falecido: STJ corrige distorção

Espólio pode buscar dano moral do falecido: STJ corrige distorção Alessandro Junqueira de Souza Peixoto Ao reconhecer a legitimidade do espólio para ação por dano moral do falecido, o STJ reforça a lógica do inventário como instrumento de proteção patrimonial. terça-feira, 5 de maio de...