Debatedores pedem mais empenho na busca de acordos comerciais

23/04/2012 - 21h39 Comissões - Relações Exteriores - Atualizado em 23/04/2012 - 21h39

Debatedores pedem mais empenho na busca de acordos comerciais

Marcos Magalhães 

No momento em que diversos países buscam celebrar acordos bilaterais de comércio, o Brasil e o Mercosul ainda se limitam a modestos instrumentos firmados com Israel, Egito e Autoridade Palestina. A limitação foi ressaltada pelo diretor do Departamento de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Thomaz Zanotto, que pediu nesta segunda-feira (23) prioridade à negociação de acordos com os maiores mercados do mundo.

- Com a paralisação das negociações da Rodada de Doha [da Organização Mundial de Comércio], o Brasil ficou sem acordos. Em termos comerciais os acordos que temos significam pouco. Está havendo no resto do mundo agora uma corrida por acordos comerciais. Achamos fundamental a retomada de acordos com a União Europeia e os Estados Unidos. Juntos ainda são os principais mercados do mundo – afirmou Zanotto, em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

O pedido de Zanotto foi apoiado durante a audiência pelo ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia. Ele recordou que as negociações de acordos bilaterais levam à integração das cadeias produtivas dos países envolvidos. Em sua opinião, o Brasil não deve limitar-se a seu “imenso mercado interno”, mas buscar acordos que possam substituir os entendimentos ainda não viabilizados da OMC.

– Não temos a menor perspectiva de ter acordos desse gênero. É uma lacuna importante que só traz prejuízos ao futuro do país – disse Lampreia, lamentando ainda que o Mercosul tenha se tornado “claramente” refém do protecionismo argentino, o que impediria o bloco de firmar acordos internacionais.

Conselho de Segurança

Em sua avaliação sobre a atual política externa, o diplomata aposentado Roberto Abdenur, ex-embaixador nos Estados Unidos, observou que, mais do que emergente, o Brasil é hoje um ator global. Mas a projeção externa do país requer reconhecimento do que chamou de “acentuado pluralismo de nossa persona”. O Brasil, lembrou Abdenur, está no “Sul”, mas é ocidental. Pertence aos Brics, mas tem interesses diferentes daqueles dos demais integrantes do grupo.

Em resposta à senadora Ana Amélia (PP-RS), o ex-embaixador afirmou não ter considerado “excessiva” a campanha iniciada no governo Lula por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), uma vez que a obtenção dessa cadeira “culminaria o processo de ascensão internacional do país”.

Sobre o mesmo tema, o professor Oliveiros Ferreira, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, demonstrou posição mais cautelosa.

– Os governos brasileiros não fizeram uma analise do que se ganha e do que se perde com o posto de relevância na ONU. Trata-se de uma mudança momentosa de status. Mas é necessário verificar se traz mais vantagens do que ônus - alertou.

Ao fazer uma avaliação da postura internacional do Brasil nos últimos anos, ao final da audiência, o presidente da CRE, senador Fernando Collor (PTB-AL), considerou “exitosa” a política externa adotada desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em sua opinião, o país tem independência em relação às grandes potências e já possui a dimensão política necessária para fazer politica externa sem depender do “yes, sir”. O senador observou ainda que pode demorar mais de uma década a decisão sobre a possível ampliação do Conselho de Segurança da ONU.

– Mas temos de nos habilitar, pois nunca estivemos tão próximos [do assento permanente] como agora - recomendou.

 

Agência Senado

 

Notícias

Justiça nega herança por falta de prova de paternidade afetiva

11/05/2026 17:26 Justiça nega herança por falta de prova de paternidade afetiva O Tribunal de Justiça de Rondônia negou o pedido de uma mulher que buscava ser aceita como filha de um homem que morreu. Com isso, ela teve negado o direito à herança. A decisão foi da 2ª Câmara Cível do TJRO. O...

Inventário. União estável. Direito sucessório – cláusula contratual – exclusão – companheiro sobrevivente. Herança – renúncia antecipada. Nulidade

Inventário. União estável. Direito sucessório – cláusula contratual – exclusão – companheiro sobrevivente. Herança – renúncia antecipada. Nulidade TJMS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. INVENTÁRIO. UNIÃO ESTÁVEL. CLÁUSULA CONTRATUAL QUE EXCLUI...

STJ: Inadimplente não pode reter imóvel por benfeitorias úteis

Direito de retenção STJ: Inadimplente não pode reter imóvel por benfeitorias úteis Para ministros da 3ª turma, quem está em débito não pode impedir retomada do imóvel até receber eventual indenização por melhorias. Da Redação terça-feira, 12 de maio de 2026 Atualizado às 19:31 Ocupante inadimplente...

Registro no CAR não basta para impor recuperação de área desmatada

Sem vínculo Registro no CAR não basta para impor recuperação de área desmatada Karla Gamba 10 de maio de 2026, 14h20 O caso envolve uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Pará, na qual se atribuiu ao agravante e a outro réu a responsabilidade pela destruição de mais de 482...