Especialistas defendem mais rigor na aplicação da Lei Seca

28/06/2011 20:19

Especialistas defendem mais rigor na aplicação da Lei Seca

 

Pedro França
Mauro Augusto Ribeiro
Mauro Ribeiro, da Abramet, defendeu aumento do número de bafômetros e criação do Ministério do Trânsito.

Debatedores defenderam nesta terça-feira maior fiscalização no trânsito para que a Lei Seca (11.705/08) cumpra efetivamente sua missão de reduzir o número de acidentes e de vítimas. O tema foi abordado em audiência pública da comissão especial que analisa o consumo abusivo de bebidas alcoólicas.

“Se não fiscalizar, não adianta, porque a população vai beber”, declarou a médica Vilany Mendes Felix, do Grupamento de Atendimento de Emergência Pré-Hospitalar do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. De acordo com ela, o índice de vítimas de trânsito no DF caiu logo que a lei entrou em vigor, mas agora está voltando ao patamar de antes.

O relator da comissão, deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), indagou aos especialistas presentes ao debate o que fazer para que a Lei Seca - que prevê de multa a prisão para quem for flagrado dirigindo alcoolizado - seja mais respeitada. O diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Orlando Moreira da Silva, respondeu ser necessário aumentar a abordagem policial sobre os motoristas. “Nós nos acostumamos à fiscalização eletrônica, mas ela não basta”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Mauro Augusto Ribeiro, foi na mesma linha e acrescentou: “campanha de trânsito alguma se sustenta sem fiscalização, é preciso dar o bafômetro para todos”.

Já Vilany Felix propôs a medição compulsória do índice de alcoolemia em todos os pacientes que ingressam nos hospitais, da mesma forma como são aferidos outros indicadores de saúde.

Tolerância cultural
Mauro Ribeiro criticou a “tolerância cultural” que existe em relação ao consumo de bebidas alcoólicas. Segundo ele, está provado que o álcool é o maior fator de risco para acidentes de trânsito. “A concentração segura de álcool no sangue é zero”, destacou.

O presidente da Abramet sustentou também que o combate à alcoolemia é tão importante que deveria ser liderado pela Presidência da República. Ele defendeu a criação de um ministério do Trânsito.

Condutor

Saulo Cruz
Reunião ordinária e audiência pública - Orlando Moreira da Silva (chefe do Departamento Nacional de Trânsito - DENATRAN),  dep. Vanderlei Macris (relator) e dep. Geraldo Resende (presidente)
Orlando Silva (E), do Denatran: condutor é o principal responsável pelos acidentes.

Orlando Silva apontou que a maior parte da responsabilidade pelos acidentes cabe aos condutores dos veículos. Ele citou pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) segundo a qual 66% das colisões são causadas pelos motoristas, seja por excesso de velocidade, ultrapassagem em local proibido ou por embriaguez. “É no condutor que devemos concentrar nossas ações”, destacou o diretor.

Publicidade
O deputado Mandetta (DEM-MS), por sua vez, propôs que as emissoras de rádio e TV sejam obrigadas a veicular mensagem sobre os riscos do álcool em tempo igual ao dedicado à exibição de propagandas de bebidas alcoólicas. Assim, cada minuto de publicidade corresponderia a um minuto de mensagem oficial. Conforme o parlamentar, o mecanismo funcionaria como uma espécie de “direito de resposta” para enfrentar o poder econômico da indústria.

O deputado João Ananias (PCdoB-CE) criticou a mídia por ignorar os problemas decorrentes do abuso de bebida alcóolica, enquanto dá amplo destaque negativo às drogas ilícitas. Isso acontece, observou ele, porque a bebida gera muito dinheiro em publicidade. “O problema não é a marcha da maconha, mas sim as consequências do abuso de álcool”, disse.

Pontos de venda
Vilany Felix contestou ainda a venda de bebida alcoólica em postos de combustível. “É como se o Corpo de Bombeiros vendesse fogos de artifícios ou balões”, comparou.

O deputado Dr. Aluizio (PV-RJ), após destacar o enorme prejuízo (cerca de R$ 30 bilhões por ano) que os traumas físicos causam à saúde pública - em especial aqueles provocados pelos acidentes de trânsito -, defendeu a tese de que é preciso coibir totalmente a associação entre álcool e direção de veículos. “Não há outra saída”, argumentou.

Reportagem – Luiz Claudio Pinheiro
Edição – Marcelo Oliveira
 Agência Câmara de Notícias

 

Notícias

Sobrenome do ex-cônjuge após o divórcio: exclusão pela via registral

Opinião Sobrenome do ex-cônjuge após o divórcio: exclusão pela via registral Marcos Dallarmi 6 de março de 2026, 6h39 Sob a ótica procedimental, a prática recomenda atenção a quatro pontos: prova do fato jurídico; precisão do resultado; segurança na formalização; e coerência pós-averbação. Confira...

STJ: Ministra admite penhora de imóvel alienado por dívida condominial

Dívida STJ: Ministra admite penhora de imóvel alienado por dívida condominial Decisão da ministra Daniela Teixeira aplica entendimento da 2ª seção sobre natureza propter rem dos débitos de condomínio Da Redação quinta-feira, 5 de março de 2026 Atualizado às 10:57 Ministra Daniela Teixeira aplicou...

STJ autoriza exclusão de sobrenome paterno por abandono afetivo

Família STJ autoriza exclusão de sobrenome paterno por abandono afetivo Por unanimidade, 3ª turma permitiu alteração no registro civil. Da Redação terça-feira, 3 de março de 2026 Atualizado às 18:18 Por unanimidade, a 3ª turma do STJ deu provimento a recurso para permitir a supressão de sobrenome...