Especialistas pedem regulamentação imediata da Lei Antifumo

12/12/2013 - 12h54

Deputados e especialistas pedem regulamentação imediata da Lei Antifumo

Lei proíbe fumo em ambientes coletivos fechados em todo o País, mas falta de regulamentação pelo Executivo faz com que não seja fiscalizada.

Deputados e especialistas foram unânimes em defender a regulamentação imediata da Lei Antifumo Nacional (Lei 12.546/11), em audiência pública na Comissão de Legislação Participativa, nesta quinta-feira (12). A lei proibiu o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno em ambiente coletivo fechado.

Além disso, ficou proibida, em todo o território nacional, a propaganda comercial do cigarro, com exceção apenas da exposição dos produtos nos locais de vendas, desde que acompanhada das cláusulas de advertência sobre os malefícios do fumo para a saúde.

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a regulamentação da Lei 12546/11 (Lei Antifumo Nacional). Vice-diretora da Aliança de Controle do Tabagismo, Mônica Andeis
Mônica Andreis: "Nada justifica essa demora do Executivo em apresentar o decreto regulamentador."

No entanto, dois anos após a promulgação da lei, o governo ainda não a regulamentou, dificultando sua aplicação e fiscalização. Segundo a vice-diretora da ONG Aliança de Controle do Tabagismo, Mônica Andreis, o Ministério da Saúde criou um grupo de trabalho para regulamentar a lei, mas nunca apresentou a conclusão dos trabalhos. "Nada justifica essa demora do Executivo em apresentar o decreto regulamentador. Sem dúvida, existe uma omissão e uma falta de vontade política em priorizar esse tema”, opinou.

Ela ressaltou ainda que oito estados brasileiros aprovaram leis estaduais proibindo o fumo em ambientes coletivos fechados (São Paulo, Rio de Janeiro, Roraima, Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, Paraíba e Paraná). Esses estados têm aplicado efetivamente a proibição, punindo quem a descumpre.

De acordo com Mônica, hoje, no Brasil, as doenças associadas ao tabagismo são responsáveis por mais de 130 mil mortes anuais e geram gastos de R$ 21 bilhões por ano aos cofres públicos.

Lobby da indústria
Na visão do deputado Ivan Valente (Psol-SP), que solicitou o debate, o lobby da indústria tabagista é muito poderoso. "Quando avançamos na legislação, a reação do poder econômico é muito forte", ressaltou. Para ele, não procedem os argumentos da indústria de que é ela responsável pela geração de empregos e impostos, já que os gastos públicos com a saúde são superiores aos ganhos econômicos.

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a regulamentação da Lei 12546/11 (Lei Antifumo Nacional). Dep. Ivan Valente (PSOL-SP)
O deputado Ivan Valente criticou o governo por não enviar representantes ao debate.

O parlamentar criticou o governo por não enviar representantes para a audiência. "O Ministério da Saúde tem que se manifestar claramente sobre essa questão", afirmou. "Os interesses econômicos estão atropelando os interesses da saúde pública", completou. Ele informou ainda que a comissão enviou requerimento de informações à Casa Civil, questionando os motivos da não regulamentação.

Falta de fiscalização
O procurador regional da República Wellington Saraiva salientou que a falta de regulamentação atrapalha a fiscalização da lei pelos órgãos responsáveis, como as vigilâncias sanitárias estaduais, que, segundo ele, precisariam de uma normal nacional que as direcionassem. "Ainda que a lei tenha dispositivos autoaplicáveis, do ponto de vista da eficácia da lei, a falta do decreto regulamentador é extremamente nociva", disse. Para ele, o Legislativo deve cobrar do Executivo que cumpra o seu dever de regulamentar a lei.

Ele destacou ainda que a Convenção Quadro sobre Controle de Tabaco, tratado internacional assinado pelo Brasil e por mais 175 países, exige que o Estado brasileiro estabeleça políticas de combate ao tabagismo.

Durante a audiência, a Associação Brasileira da Indústria do Fumo distribuiu comunicado dizendo que a indústria tabagista não se opõe à regulamentação da lei. "A falta de decreto regulamentador gera fiscalizações sem critérios objetivos e base legal, acarretando insegurança e desinformação para o setor varejista e para o consumidor final", afirma o comunicado. A associação defende que haja uma definição "precisa e balanceada" dos locais onde os consumidores podem fumar.

Malefícios do cigarro
O representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia na audiência, Márcio Gonçalves Sousa, chamou a atenção para as diversas doenças associadas ao tabagismo. "A cada dois fumantes, um vai morrer pelo cigarro – ou de infarto, ou de câncer ou de doenças respiratórias", informou.

Conforme ele, o tabagismo ativo é a primeira causa de morte evitável no mundo, matando 15 pessoas por hora. Já o tabagismo passivo mataria, segundo ele, sete pessoas ao dia no mundo. "Não existem níveis seguros de nicotina", observou.

 

Reportagem - Lara Haje
Edição – Daniella Cronemberger

Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias

 

Notícias

CNJ rejeita proposta de superpreferência para tramitação de processos

Preferência da preferência CNJ rejeita proposta de superpreferência para tramitação de processos Danilo Vital 24 de fevereiro de 2026, 18h51 Relator do processo, o conselheiro Guilherme Feliciano apontou que o magistrado, com a autonomia na direção dos serviços e independência técnica, pode...

Casamento civil em 2026: Os efeitos do provimento 199/25 do CNJ

Casamento civil em 2026: Os efeitos do provimento 199/25 do CNJ Rudyard Rios O artigo analisa normativas recentes do CNJ sobre o registro civil, com foco no provimento 199/25 e seus impactos no acesso ao casamento civil por populações vulneráveis. quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 Atualizado às...