Inovações tecnológicas no CNJ: módulo criminal e Computação Cognitiva

Nova funcionalidade permite a juízes criminais dar andamento a ações penais no Processo Judicial Eletrônico (PJe). FOTO: Arquivo

Inovações tecnológicas no CNJ: módulo criminal e Computação Cognitiva

12/09/2018 - 19h04

Uma antiga demanda dos magistrados que atuam na justiça criminal começa a ser atendida com o desenvolvimento da mais recente solução tecnológica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o módulo criminal. Em fase de testes no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a nova funcionalidade permite a juízes criminais dar andamento a ações penais no sistema de tramitação processual eletrônica do CNJ, o Processo Judicial Eletrônico (PJe). Além disso, com a integração do módulo ao Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP 2.0), o juiz poderá confeccionar todos os documentos previstos no BNMP 2.0 diretamente através do PJe, sem a necessidade do uso via web.

O módulo criminal era reivindicado pelos juízes criminais pelo menos desde 2015 e passou o último ano sendo concebido pelo Departamento de Tecnologia da Informação (DTI/CNJ), sob orientação do conselheiro Márcio Schiefler Fontes e do juiz auxiliar da Presidência do CNJ, Marcelo Mesquita Silva. Ambos trabalharam, ainda, com a participação da coordenadora do DMF, juíza auxiliar Maria de Fátima Alves da Silva, no desenvolvimento e implantação do BNMP 2.0, uma plataforma virtual usada para emitir mandados de prisão, alvarás de soltura e diversos documentos que ensejam a movimentação de pessoas no sistema prisional. O BNMP já está em funcionamento em 26 dos 27 tribunais de Justiça e nos cinco tribunais regionais federais (TRFs). A plataforma abrange um universo de 620 mil presos cadastrados até o momento.

O advento do módulo criminal no PJe é a melhora mais visível do PJe, que passou por evoluções durante a Presidência do CNJ da ministra Cármen Lúcia. Além dessa nova funcionalidade, o CNJ também desenvolveu o Sistema FAM, sigla para Ferramentas de Apoio ao Magistrado. Alinhado ao que há de mais moderno no campo da computação cognitiva, o sistema permitirá extrair informações internas de processos e decisões, para dar mais celeridade ao trabalho dos juízes.

Funcionalidades
Uma das ferramentas do FAM vai permitir o acesso às decisões previamente proferidas, pela própria unidade ou por todo o órgão, destacando aquelas mais relevantes para o processo em análise, de modo a facilitar que se encontrem referências, comparação de jurisprudência ou fundamentos doutrinários, enquanto outra identificará similaridades entre peças processuais e decisões e uma terceira vai auxiliar o cadastramento das petições iniciais.

Problemas que atrapalham a rotina produtiva dos juízes, como a impossibilidade de se recolher textos em arquivos de formato PDF, a falta de reconhecimento automático de documentos e peças processuais, serão superados com a adoção do novo instrumental. À medida que os tribunais passem a operar com o Sistema FAM integrado ao PJe, seus magistrados terão mais elementos para melhor lastrear seus julgados, conferindo maior segurança, estabilidade e previsibilidade das decisões judiciais.

Além de melhorar o trabalho de quem lida diretamente com a tramitação dos processos, o aprimoramento do PJe vai aperfeiçoar a aferição de dados estatísticos sobre a litigiosidade no país. Os estudos conduzidos pelo Departamento de Pesquisas Judiciais (DPJ), por exemplo, terão base mais confiável.

PJe
Desde o início de sua implantação, em 2009, o PJe passa do papel para o meio virtual os autos das ações judiciais em todo o país. Em implantação desde 2009, o sistema já está presente em 66 dos 91 tribunais brasileiros.

Manuel Carlos Montenegro
Agência CNJ de Notícias

 

Notícias

Regra do CNJ facilita venda de imóvel de herança para pagar inventário

Regra do CNJ facilita venda de imóvel de herança para pagar inventário Artigo da Resolução 35/2007 permite autorização por escritura pública, desde que o valor seja vinculado às despesas sucessórias Nathalia Costeira 03/07/2026 11:13  03/07/2026 11:14 Famílias que herdam imóveis muitas vezes...

Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem

A conta chega Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem 7 de julho de 2026, 13h50 Com relação aos danos morais, a juíza entendeu que situação vivenciada pelo trabalhador rural ultrapassa o mero aborrecimento contratual e fixou a indenização em R$ 15 mil. Prossiga em...

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária Periódico divulga teses firmadas pela Corte selecionadas pela novidade no âmbito do Tribunal e pela repercussão no meio jurídico. O Informativo de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça n. 894 (STJ) divulgou os...

Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva

Vínculos afetivos Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva Magistrada destacou que a filiação não se limita ao vínculo biológico, ao homologar acordo que reconheceu relação construída por afeto e convivência ao longo de 24 anos. Da Redação quarta-feira, 1 de julho de...