Morte de jovens impede Brasil de ter expectativa de vida de países desenvolvidos

Acidentes de trânsito matam anualmente centenas de jovens no Brasil, e país fica distante da esperança de vida  verificada em nações desenvolvidas  Arquivo/Agência Brasil

Morte de jovens impede Brasil de ter expectativa de vida de países desenvolvidos

01/12/2016 12h30  Rio de Janeiro
Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil

A mortalidade de jovens por causas externas – como acidentes de trânsito e violência – é o principal fator que afasta a esperança de vida no Brasil da registrada em países desenvolvidos.

A avaliação é do pesquisador Márcio Minamiguchi, integrante da equipe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou hoje (1º) a Tábua Completa para a Mortalidade do Brasil em 2015.

A pesquisa mostra que a expectativa de vida de um brasileiro nascido em 2015 é de 75 anos, cinco meses e 26 dias, o que representa um ganho de cerca de três meses em relação a 2014 e de 30 anos na comparação com 1940.

Os dados apontam, no entanto, que as chances de um homem morrer entre 20 a 24 anos se tornaram 4,5 vezes maiores que as de uma mulher na mesma idade. Em 1940, a diferença era de apenas 1,2 vez e, segundo o IBGE, o fenômeno é comum em países que passaram por um rápido processo de urbanização e formação de metrópoles, como o Brasil.

"A maior parte das mortes por violência e em acidentes de trânsito está concentrada entre os homens", disse o pesquisador. Minamiguchi também afirmou que esses fatores agravam uma diferença que já era constatada por outros motivos. "Há desde fatores biológicos e comportamentais até sociais [para a sobremortalidade masculina]. Os homens têm tendência maior ao alcoolismo, tabagismo e consumo maior de calorias e são mais sujeitos a dirigir em alta velocidade".

A distância entre o Brasil e países desenvolvidos na expectativa de vida não se explica apenas por esses fatos. Dados como a mortalidade infantil e o acesso à saúde pela população idosa mostram que a diferença se estende ao longo de todas as faixas etárias. "É um processo geral para que a gente tenda a convergir com países desenvolvidos. Mas a diferença já diminuiu bastante".

Três anos a cada década

O ritmo de crescimento da esperança de vida ao nascer no Brasil continua mais rápido que o da média de países desenvolvidos. O país ganha aproximadamente três anos a cada década, e as nações mais ricas têm acréscimos de dois a dois e meio.

Durante o século XX, no entanto, já houve décadas com cinco anos de aumento na expectativa de vida ao nascer no Brasil, velocidade que podia ser obtida com investimentos menores.

"O padrão de mortalidade no Brasil mudou bastante. Naquele período, a mortalidade infantil ainda era muito grande e medidas simples facilmente a diminuíam, como mais escolaridade para as mães, medidas básicas de saúde e saneamento e vacinação", disse o pesquisador. "Medidas que aumentem a expectativa de vida hoje acabam se tornando mais caras".

Edição: Kleber Sampaio
Agência Brasil

 

Notícias

Sobrenome do ex-cônjuge após o divórcio: exclusão pela via registral

Opinião Sobrenome do ex-cônjuge após o divórcio: exclusão pela via registral Marcos Dallarmi 6 de março de 2026, 6h39 Sob a ótica procedimental, a prática recomenda atenção a quatro pontos: prova do fato jurídico; precisão do resultado; segurança na formalização; e coerência pós-averbação. Confira...

STJ: Ministra admite penhora de imóvel alienado por dívida condominial

Dívida STJ: Ministra admite penhora de imóvel alienado por dívida condominial Decisão da ministra Daniela Teixeira aplica entendimento da 2ª seção sobre natureza propter rem dos débitos de condomínio Da Redação quinta-feira, 5 de março de 2026 Atualizado às 10:57 Ministra Daniela Teixeira aplicou...

STJ autoriza exclusão de sobrenome paterno por abandono afetivo

Família STJ autoriza exclusão de sobrenome paterno por abandono afetivo Por unanimidade, 3ª turma permitiu alteração no registro civil. Da Redação terça-feira, 3 de março de 2026 Atualizado às 18:18 Por unanimidade, a 3ª turma do STJ deu provimento a recurso para permitir a supressão de sobrenome...