'Peça de ficção'

Pedro França/Agência Senado

Programa de aviação regional ainda é 'peça de ficção', dizem senadores em audiência

Rodrigo Baptista | 06/05/2015, 14h25

Lançado em 2012 pela presidente Dilma Rousseff, o Programa de Aviação Regional ainda é uma "peça de ficção", segundo a opinião da maior parte dos senadores que participaram nesta quarta-feira (6) de reunião conjunta das Comissões de Serviços de Infraestrutura (CI) e de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR).

A principal ambição do plano é a de ampliar o acesso da população ao transporte aéreo, fazendo com que 96% da população esteja a menos de 100 km de um terminal. Para isso, o programa prevê a construção e reforma de 270 aeroportos regionais país afora. Conforme o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Eliseu Padilha, que participou da audiência pública no Senado, a aviação regional é prioritária para o governo.

Mas a apresentação do ministro não convenceu todos os senadores. Vários criticaram a demora em "tirar o programa do papel".

- Há alguns anos, acompanhamos o desenvolvimento de alguns programas do governo Federal, me perdoe a sinceridade, que se transformaram em PowerPoint. Eles são colocados, mas, na prática, estão se transformando em projetos de ficção – criticou Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

O ajuste fiscal promovido pelo governo intranquiliza os senadores, que temem que o contingenciamento prejudique o cronograma de obras. Rose de Freitas (PMDB-ES), Lasier Martins (PDT-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foram alguns dos senadores que manifestaram preocupação com a possibilidade de cortes no programa.

O ministro da Secretaria de Aviação Civil explicou que os recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) garantem o financiamento do programa. O Fnac recebe dinheiro das taxas aeroportuárias e das concessões de aeroportos, como os de Guarulhos, Campinas e Brasília, leiloados em 2012, e Galeão e Confins, em 2013. Neste ano, o fundo deve arrecadar mais R$ 4 bilhões, conforme estimativa da pasta. Contudo, Padilha admite que existe uma “disputa legítima” entre o Ministério da Fazenda e a Secretaria de Aviação Civil em torno do contingenciamento dos recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil.

- Tomar [ o dinheiro do fundo] é impossível, o que pode é ele ficar retido no caixa – admitiu Padilha.

O ministro da Aviação Civil enfatizou que considera importante o ajuste fiscal promovido pelo ministro Joaquim Levy, mas reiterou que a presidente Dilma Rousseff lhe garantiu apoio para fazer o programa decolar.

- Nós temos é que progressivamente fazer com que os programas que são essenciais à Presidência da República e ao governo, ao povo brasileiro, não sejam estancados totalmente naquilo em que sejam indispensáveis, em decorrência do ajuste – argumentou.

Crescimento

Em sua exposição o ministro abordou também as perspectivas para o crescimento do setor. Segundo Padilha, os aeroportos brasileiros vão triplicar sua capacidade nos próximos 20 anos. A seu ver, a expansão do setor tem ocorrido em razão da democratização do transporte aéreo, que nos últimos anos se tornou acessível para milhões de brasileiros.

Ele destacou ainda que o crescimento tem sido tanto quantitativo como qualitativo. Como prova disso, citou pesquisa da Secretaria da Aviação Civil segundo a qual 10 dos 15 terminais avaliados receberam dos passageiros notas acima de 4 (numa escala de 1 a 5). Foi a primeira vez que a nota média ultrapassou 4, enfatizou Eliseu Padilha.

- Quem toma o transporte aéreo nesses 15 aeroportos brasileiros,que concentra mais de 80% das passagens aéreas do Brasil, diz para nós todos que ele está satisfeito em 80% com o que lhe é apresentado – disse Padilha, ao afirmar que  é raro esse nível de satisfação com serviços públicos.

Metas

Durante o debate com o ministro da Aviação Civil, o presidente da CI, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), o presidente da CDR, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e outros senadores listaram problemas em aeroportos de seus estados e cobraram a conclusão das etapas do programa de aviação regional. Wilder Morais (DEM-GO) e João Alberto Souza (PMDB-MA), por exemplo, afirmaram que o programa precisa apresentar metas mais claras, como o número de aeroportos que serão concluídos por ano.

Eliseu Padilha explicou que, dos 270 aeroportos incluídos no programa, 55 aguardam o licenciamento ambiental. O ministro listou as etapas que devem ser cumpridas: conclusão dos estudos ambientais e anteprojetos; elaboração de editais para licitação; execução de obras; e abertura do tráfego aéreo.

Nós tivemos sérias questões ambientais que entravaram todo o nosso processo de licenciamento – afirmou Padilha, que relatou outros entraves burocráticos que atrasaram o processo.

Ainda durante sua apresentação, o ministro garantiu prioridade para aeroportos da Amazônia Legal no programa de aviação regional. Padilha esclareceu ainda que terão suas obras iniciadas mais rapidamente aqueles aeroportos que obtiverem com maior brevidade o licenciamento ambiental. Até agora apenas o Aeroporto de Caruaru (PE) está apto à fase de licitação.

Concessões

Sobre as concessões de aeroportos, Padilha enfatizou que o modelo escolhido pelo governo tem sido positivo e colaborou com o aumento da satisfação da população com o transporte aéreo.

- A parceria com o setor privado aprimorou, sim, a aviação civil brasileira.  [...] Se nós formos considerar que R$ 13,4 bilhões foram investidos nos aeroportos brasileiros, se dependesse apenas do Tesouro, por óbvio, nós não teríamos esses investimentos – respondeu Padilha.

Garibaldi Alves Filho e Davi Alcomlumbre revezaram-se no comando da reunião, que foi requerida pelos senadores José Pimentel (PT-CE), Rose de Freitas (PMDB-ES), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Agência Senado

 

Notícias

Bens digitais no inventário, desafios jurídicos da sucessão patrimonial

Bens digitais no inventário, desafios jurídicos da sucessão patrimonial André Santa Cruz O artigo analisa os desafios da sucessão de bens digitais no Brasil, a insuficiência das regras tradicionais, a falta de regulamentação e a importância do planejamento sucessório. segunda-feira, 2 de fevereiro...

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório   A autocuratela será uma das alternativas mais importantes para os idosos a partir de 2026. Saiba como planejar sua representação no cartório e garantir autonomia. Com a chegada da autocuratela prevista para 2025, os...

Adolescente terá nome de dois pais na certidão de nascimento

Adolescente terá nome de dois pais na certidão de nascimento Decisão da Comarca de Campina Verde reconhece a evolução das estruturas familiares 27/01/2026 - Atualizado em 28/01/2026 Um adolescente passará a ter, na certidão de nascimento, o registro de dois pais junto do nome da mãe....

Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância

Opinião Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância Marcos Bilharinho 28 de janeiro de 2026, 6h35 É constatado, ainda, que o Brasil é a única nação que destina mais de seis vezes dos recursos do orçamento para os mais velhos do que para os mais jovens. Prossiga em Consultor...