Presidente do BC nega estagflação

Em reunião da CAE, o presidente do Banco Central disse aos senadores que não há risco de o Brasil entrar num processo de estagflação, que combina inflação alta e redução da atividade econômica 

05/08/2014 - 14h30 Comissões - Assusntos Econômicos - Atualizado em 05/08/2014 - 14h35

Tombini nega estagflação e aponta queda nos índices gerais de preços

Djalba Lima

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, negou em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira (5), o risco de o Brasil entrar num processo conhecido como estagflação, que combina inflação alta com redução da atividade econômica e aumento do desemprego.

O alerta sobre esse risco havia sido feito pouco antes pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Após lembrar que a variação acumulada do Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dos últimos 12 meses está em 6,52%, acima do teto da meta (6,5%), o parlamentar apontou uma deterioração da expectativa de crescimento anual da economia, que caiu de 1,7% em março para 0,86% em julho, de acordo com a pesquisa Focus. E perguntou se isso não poderia conduzir o Brasil "ao pior dos mundos", que seria a estagflação.

Tombini respondeu que, apesar de a variação acumulada do IPCA estar acima do teto da meta, o Brasil passa por um fenômeno caracterizado pela queda dos índices gerais de preços ao consumidor e, principalmente, no atacado. Conforme o dirigente do BC, houve deflação nos últimos três meses no atacado, "o que sugere que a inflação ao consumidor tende a permanecer bem comportada nos meses à frente".

Tombini disse que a inflação permanece elevada no acumulado em 12 meses como "reflexo do realinhamento dos preços relativos", como o que ocorre entre os preços administrados e os livres na economia. No médio prazo, segundo ele, "essas pressões tendem a arrefecer e até mesmo a se esgotar".

O presidente do BC explicou que a inflação média, desde o início do Plano Real, é de 0,52% ao mês e, nos últimos 42 meses, situou-se em 0,51%.

Com base nesses números, Tombini garantiu que não há descontrole na inflação e questionou a própria existência de uma crise.

– Que crise é essa se estamos no menor nível de desemprego na economia brasileira de todos os tempos? Que crise é essa em que a inflação está sob controle?

Crescimento

Questionado por vários senadores, como Jayme Campos (DEM-MT), Odacir Soares (PP-RO) e Blairo Maggi (PR-MT), o presidente do Banco Central disse que a revisão do crescimento tem sido mais norma do que exceção nas principais economias do G-20. Pela 10ª vez seguida, a pesquisa Focus, em que são ouvidas mais de 100 instituições financeiras, reduziu a previsão de crescimento para 2014, agora de 0,90% para 0,86%.

Pouco antes, em sua apresentação aos senadores, Tombini havia atribuído à demora no restabelecimento dos "espíritos animais" dos empreendedores a lentidão na retomada das economias globais. Animal spirits foi um termo usado pelo economista britânico John Maynard Keynes, em 1936, para descrever emoções que embasam a confiança no mercado.

Em resposta à senadora Ana Amélia (PP-RS), que perguntou se o pessimismo decorre da situação política ou de "algo que não conseguimos enxergar", Tombini disse que o BC trabalha para manter a previsibilidade da economia, tentando aperfeiçoar sua comunicação com a sociedade. Para deslanchar os investimentos privados, ele defendeu melhoria da infraestrutura e da qualificação do mercado de trabalho.

O senador Cyro Miranda (PSDB-GO) questionou o presidente do BC sobre denúncia de O Estado de São Paulo da existência de uma suposta "conta paralela" de R$ 4 bilhões que estaria fora do "radar" do Banco Central em um banco privado. Tombini citou nota de esclarecimento divulgada pelo BC em 15 de julho informando que a mudança na classificação contábil pela instituição financeira está sob análise da área de supervisão do Banco Central.

A reunião, presidida pelo senador Luiz Henrique (PMDB-SC), cumpre determinação do Regimento Interno do Senado para que a CAE realize, a cada três meses, audiência pública com o presidente do BC, para acompanhamento da política monetária. A reunião anterior foi realizada em março deste ano.

 

Agência Senado

 

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