Relatora mudará MP para ampliar bancos que vão operar o Cartão Reforma

Leonardo Prado/Câmara dos Deputados
14/02/2017 - 19h00

Relatora mudará MP para ampliar bancos que vão operar o Cartão Reforma

Cartão será utilizado por famílias com renda de até R$ 1,8 mil para compra de materiais de construção destinados à reforma de residência

 
Leonardo Prado/Câmara dos Deputados
Comissão Mista sobre a MP 751/16, que cria o programa Cartão Reforma, com o objetivo de subsidiar a aquisição de materiais de construção destinados à reforma, à ampliação ou à conclusão de imóveis de famílias de baixa renda
Comissão que analisa a MP 751 realizou debate nesta terça-feira

A Caixa Econômica Federal poderá não ser a única agente operadora dos recursos do programa Cartão Reforma, lançado pelo governo federal no final do ano passado.

A relatora da medida provisória que criou o programa habitacional (751/16), senadora Ana Amélia (PP-RS), acertou com o governo uma nova redação da MP para permitir que outros bancos oficiais também atuem como agentes financeiros do programa. A medida beneficia sobretudo bancos estaduais.

“O banco não vai ter acesso ao cadastro da pessoa, do beneficiário. Vai ter acesso ao recurso que a Caixa vai repassar para pagar a loja de material”, explicou a senadora. Segundo ela, a abertura para outros agentes financeiros foi reivindicada por estados como Tocantins e pelo Distrito Federal, que possuem bancos próprios.

O Cartão Reforma é um subsídio que o governo dará a famílias com renda bruta de até R$ 1,8 mil para aquisição de materiais de construção destinados à reforma, à ampliação ou à conclusão de residência.

Limite
Ana Amélia também adiantou que não pretende alterar o limite de renda familiar dos beneficiários do programa. Das 42 emendas apresentadas por deputados e senadores, pelo menos seis propõem a ampliação desse valor, que equivale hoje a cerca de 1,9 salários mínimos. O governo paulista também quer um teto maior, sob a alegação de que o valor é baixo diante da renda média do estado.

Mas a relatora disse que o aumento do limite dilui o foco do programa, que é atender os mais pobres. “O objetivo do programa é social. Então, o limite de dois salários mínimos, nesse momento de muita gente desempregada, é uma questão de justiça social, mesmo que seja absolutamente legítima a demanda de São Paulo e de outros estados”, disse Ana Amélia.

A MP tem mais 60 dias de vigência e deve ser votada no dia 15 de março, segundo calendário definido entre os integrantes da comissão mista que analisa o texto do governo. O relator-revisor da proposta é o deputado Lucas Vergilio (SD-GO).

Debate
A MP 751 foi debatida nesta terça-feira (14) no colegiado. O diretor do Departamento de Melhoria Habitacional da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Álvaro César Lourenço, disse que o programa já tem disponível R$ 1 bilhão no orçamento deste ano. O valor é o dobro do divulgado pelo governo no ano passado.

Lourenço informou que o governo trabalha com um média de financiamento de R$ 9 mil por família. O dinheiro será liberado em parcelas, respeitando o cronograma da obra residencial. A família participante receberá o Cartão Reforma, que pagará pelos materiais de construção em uma loja credenciada pelo programa. “O recurso é 100% direto para a família, sem intermediário. A família não tem que pagar nenhuma prestação”, afirmou.

Questionado pela relatora e por outros debatedores sobre a fiscalização do uso dos recursos, Lourenço disse que o programa habitacional adotará um software, que também poderá ser usado nos celulares, que vai registrar as famílias e lojas cadastradas e acompanhar todo o percurso feito pelo dinheiro, incluindo a liberação das parcelas, a compra do material – a nota fiscal da operação comercial ficará on-line –, o andamento e a finalização da obra.

Diferenças
Durante os debates, o deputado Zé Geraldo (PT-PA) criticou o fato de o Cartão Reforma limitar o saque por família a R$ 9 mil, em média, sem considerar as diferenças de preços entre as regiões.

Além disso, afirmou que a meta do governo, de 100 mil famílias beneficiadas por ano, fica longe do deficit habitacional do País, que é de 8 milhões de moradias, segundo ele. “Se a intenção do governo é boa, os resultados provavelmente não serão bons”, afirmou.

Nesta quarta, a comissão mista realiza mais um debate sobre a MP 751, com representantes do governo e da Caixa Econômica, entre outros.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Pierre Triboli
Agência Câmara Notícias
 

 

Notícias

É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra

24/02/2011 - 10h16 DECISÃO É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra Interceptações telefônicas autorizadas em diferentes operações da Polícia Federal não podem ser consideradas ilegais. Essa foi a decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao...

Estatuto da família

  Deveres do casamento são convertidos em recomendações Por Regina Beatriz Tavares da Silva   Foi aprovado em 15 de dezembro de 2010, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, um projeto de lei intitulado Estatuto das Famílias (PL 674/2007 e...

Casal gay ganha guarda provisória de criança

Extraído de JusBrasil Casal gay ganha guarda de menino no RGS Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais - 1 hora atrás Uma ação do Ministério Público de Pelotas, que propõe a adoção de um menino de quatro anos por um casal gay, foi acolhida ontem pela juíza substituta da Vara...

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato A primeira atualização da Lei do Inquilinato (8.245/91) acabou de completar um ano com grande saldo positivo, evidenciado principalmente pela notável queda nas ações judiciais por falta de pagamento do aluguel. (Outro efeito esperado era a redução...

Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente

24/02/2011 - 08h08 DECISÃO Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente É indevida a indenização decorrente do seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, o DPVAT, se o acidente ocorreu sem o envolvimento direto do veículo. A decisão é da...

Função delegada

  Vistoria veicular por entidade privada não é ilegal Por Paulo Euclides Marques   A vistoria de veículos terrestres é atividade regulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em atendimento ao disposto nos artigos 22, inciso III, e artigos 130 e 131 do Código de Trânsito...