Trabalho da natureza pode remunerar quem a preserva

 

29/06/2011 - 19h02

Trabalho da natureza pode remunerar quem a preserva 

A chegada do projeto de novo Código Florestal (PLC 30/2011) ao Senado ampliou o debate em torno da construção de instrumentos econômicos capazes de compensar agricultores que preservem os recursos florestais. Nesse contexto, as atenções se voltam para as potencialidades dos chamados serviços ambientais e os mecanismos de estímulo àqueles que garantam a manutenção, em boas condições, dos ecossistemas.

Considera-se serviço ambiental o conjunto de processos naturais dos ecossistemas capazes de assegurar a ocorrência da vida no planeta e as condições para as atividades produtivas. Embora o serviço ambiental seja classificado do ponto de vista de quem o forneceu, o ecossistema, a atuação do ser humano para manter o equilíbrio ou restaurá-lo é também considerada como parte do trabalho.

O Ministério do Meio Ambiente, na publicação "Pagamento por Serviços Ambientais na Mata Atlântica", reúne em quatro grupos todo esse trabalho feito pela natureza: serviços de provisão, reguladores, culturais e de suporte.

No grupo dos serviços de provisão estão a água; as frutas, raízes, castanhas e fitofármacos, mais conhecidos como plantas medicinais; os pescados e o mel; a madeira, as fibras e a matéria prima para geração de energia (lenha, carvão e óleos).

Já a capacidade das florestas de absorver carbono através da fotossíntese do CO2 atmosférico forma o grupo de serviços reguladores, ou seja, aqueles que regulam as condições ambientais. Além de manter condições do clima, as áreas florestadas ajudam a controlar enchentes e a erosão; purificar e regular os ciclos das águas; e controlar pragas e doenças.

São considerados serviços culturais os benefícios recreativos, educacionais, estéticos e espirituais que os ecossistemas propiciam. Quando um cidadão busca descanso e lazer nas praias, no campo e nas demais paisagens naturais, está obtendo um serviço ambiental cultural da natureza.

Serviços de suporte são aqueles que contribuem para outros serviços, como a formação de solos, ciclagem de nutrientes, polinização e dispersão das sementes.

Alguns desses serviços, como a prevenção de desmoronamentos, beneficiam populações locais e outros, como o equilíbrio do clima, representam benefícios globais. E a continuidade desse trabalho prestado pela natureza depende da conservação e do manejo adequado dos ecossistemas. 

Por que pagar? 

Como os benefícios dos serviços ambientais são aproveitados pela coletividade, seja em nível local ou global, defende-se que as pessoas que conservam os ecossistemas - os chamados provedores de serviços ambientais - recebam incentivos, como recompensa pelo seu esforço em favor dos demais.

O pagamento se caracteriza por remunerar uma ação voluntária - o provedor decide manter um ecossistema, entre outras opções de uso do solo. É, portanto, uma prática que se diferencia dos chamados instrumentos de comando e controle - leis e regulamentos sobre uso de recursos naturais.

Uma das dificuldades para o estabelecimento desse sistema é a avaliação em números do benefício gerado. Ela vem sendo superada com o desenvolvimento de métodos científicos de valoração do trabalho da natureza. No entanto, ainda há o desafio de tornar o ganho econômico pela prestação do serviço ambiental mais atrativo que atividades convencionais, como a produção de grãos e a criação de gado.

As dificuldades variam conforme o tipo de serviço ambiental. Os serviços de provisão, por exemplo, são mais rapidamente inseridos na lógica econômica, sendo de mais fácil configuração como mercadorias a serem transacionadas. Esse também é o caso de boa parte dos serviços culturais, principalmente os incorporados em atividades turísticas.

Já o pagamento por serviços reguladores, como a contribuição das florestas no confisco de carbono e na regulação do ciclo das chuvas, ainda é feito de forma limitada, apesar de ter ganho espaço nos últimos anos. O país já conta com experiências bem sucedidas, a maioria ligada a Unidades de Conservação, e procura agora ampliar os mecanismos de PSA às áreas rurais, como caminho para o entendimento em torno do novo Código Florestal.

Iara Guimarães Altafin / Agência Senado
 

Notícias

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano Letícia Furlan Repórter de Mercados Publicado em 11 de abril de 2026 às 14h00. Entre os recortes analisados, o destaque está nas gerações mais jovens. A geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, lidera a intenção de compra, com 59%...

Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil

Questão de identidade Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil 9 de abril de 2026, 10h38 “O Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4275, que analisou a possibilidade de alteração do prenome e do sexo no registro civil de pessoa transgênero, assentou...

Testamento estrangeiro com bens no Brasil: Por que o STJ negou a homologação?

Testamento estrangeiro com bens no Brasil: Por que o STJ negou a homologação? Adriana Ventura Maia Supremo decide que bens no Brasil exigem inventário nacional, mesmo com testamento estrangeiro, reforçando a soberania e a segurança jurídica sucessória. quinta-feira, 9 de abril de 2026 Atualizado em...

Crédito com garantia de imóvel atrai tomadores

02/04/2026 Crédito com garantia de imóvel atrai tomadores Embora a modalidade esteja em expansão, ainda há espaço para crescimento, aponta Abecip Conhecido como home equity, o crédito com garantia de imóvel tem sido cada vez mais utilizado no mercado financeiro nacional. Dados da Associação...