Municípios podem ter maior fatia de tributos arrecadados pela União

19/05/2014 - 12h55 Comissões - Constituição e Justiça - Atualizado em 19/05/2014 - 13h08

Municípios podem ter maior fatia de tributos arrecadados pela União

Gorette Brandão

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) pode decidir, nesta quarta-feira (21), sobre a ampliação da fatia da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) destinada ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O aumento em dois pontos percentuais, para chegar a 25,5% do bolo, é previsto em Proposta de Emenda à Constituição (PEC 39/2013) apresentada pela senadora Ana Amélia (PP-RS).

A ampliação dos repasses para as prefeituras foi a principal bandeira da 17ª Marcha dos Municípios, realizada de 12 a 15 de maio, em Brasília. Entre os encontros políticos, houve uma audiência com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quando as lideranças do evento pediram a votação da matéria.

Segundo a autora, o objetivo é abrandar os efeitos da crise econômica e financeira mundial sobre as finanças dos municípios. Esse impacto teria sido ampliado pelas medidas econômicas adotadas pelo governo federal, que incluíram isenções e reduções tributárias prejudiciais às prefeituras. O efeito combinado em termos de perda de repasse para o FPM é estimado em R$ 8,4 bilhões.

O relator da PEC, senador Armando Monteiro (PTB-PE), recomenda a aprovação da matéria na forma de um texto substitutivo que prevê uma regra de transição. Ele sugere que o aumento em dois pontos da participação do FPM no bolo dos dois tributos ocorra de forma gradativa, ao longo de quatro exercícios, com acréscimos anuais de 0,5 ponto percentual.

Responsabilidade fiscal

Armando Monteiro afirma que a regra permite um ajuste paulatino das contas da União ao aumento dos repasses em favor dos tesouros municipais. Assim, entende que será possível “manter os compromissos com a responsabilidade fiscal e com o gerenciamento eficiente da política macroeconômica”.

De acordo com o relator, para 2015 é esperado o aprofundamento do ajuste fiscal, com políticas que ajudem a reduzir as expectativas de inflação e corrigir os desequilíbrios nas contas externas. “Por outro lado, a partir de 2016 será ampliado o espaço fiscal da União, o que comportaria um aumento dos repasses do FPM”, argumentou, ao defender o escalonamento.

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que articula a Marcha dos Municípios, já admite um aumento progressivo. O escalonamento foi mencionado pelo presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, durante a audiência com Renan.

A PEC depende de aprovação no Senado e na Câmara dos Deputados, em dois turnos de votação. Se aprovada pelas duas Casas, será então promulgada e entrará em vigor na data de sua publicação. Os efeitos financeiros, contudo, só começariam a partir de 1º de janeiro do ano seguinte.

União perde

Os municípios recebem atualmente 23,5% de tudo o que é arrecadado com os dois impostos pelo governo federal. Para o aumento em dois pontos percentuais, haveria um ajuste sobre a fatia da União, que seria reduzido de 52% para 50%. Ficam inalterados os repasses para o Fundo de Participação dos Estados (FPE), de 21,5%, e para os fundos de desenvolvimento regional, de 3%.

A aprovação da PEC adicionaria ao FPM, em 2014, mais R$ 7,4 bilhões, conforme estimativa da CNM. O cálculo é citado no relatório de Monteiro, ao lado de informações que mostram cenário fiscal adverso nos municípios em todo o país, conforme panorama traçado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Elaborado com base em estatísticas oficiais, o índice Firjan – Gestão Fiscal relativo a 2011 aponta que, dos 5.564 municípios de todo o país, 2.328 (45,1%) estavam em situação considerada “difícil”. Outros 1.090 (21,1%), por sua vez, foram enquadrados na categoria “quadro crítico”.

 

Agência Senado

 

Notícias

O mercado ilegal de produtos

27/02/2011 - 10h00 ESPECIAL Decisões judiciais imprimem mais rigor contra a pirataria “Receita continua a fiscalizar comércio irregular em São Paulo.” “Polícia estoura estúdio de pirataria e apreende 40 mil CDs e DVDS.” “Quadrilha tenta pagar propina de R$ 30 mil e é desarticulada.” Todas essas...

A idade mínima para ser juiz

  Juízes, idade mínima e reflexos nas decisões Por Vladimir Passos de Freitas A idade mínima para ser juiz e os reflexos no comportamento e nas decisões é tema tratado sem maior profundidade. As Constituições de 1824 e de 1891 não fixaram idade mínima para ser juiz. Todavia, o Decreto 848,...

Quando o anticoncepcional falha

Quando o anticoncepcional falha (25.02.11) O TJ de Santa Catarina decidiu que uma indústria Germed Farmacêutica Ltda. deve continuar pagando pensão de um salário mínimo mensal - mesmo enquanto apelação não é julgada - a uma mulher da cidade de Navegantes que teria engravidado apesar de utilizar...

Credores não habilitados

Extraído de AnoregBR Concordatária tem direito ao levantamento de valores que estão depositados à disposição de credores não habilitados Sex, 25 de Fevereiro de 2011 13:53 A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a empresa Ferragens Amadeo Scalabrin Ltda. tem direito ao...

Direito de Família

  Leis esparsas e jurisprudência geram novas tendências Por Caetano Lagrasta   O Direito de Família é atividade jurídica em constante evolução, ligada aos Costumes e que merece tratamento diferenciado por parte de seus lidadores. Baseado no Sentimento, no Afeto e no Amor, merece soluções...

É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra

24/02/2011 - 10h16 DECISÃO É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra Interceptações telefônicas autorizadas em diferentes operações da Polícia Federal não podem ser consideradas ilegais. Essa foi a decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao...