Bancada da agropecuária volta a questionar regras da MP que altera Código Florestal

27/06/2012 18:45

Bancada da agropecuária volta a questionar regras da MP que altera Código Florestal

Bancada da agropecuária volta a questionar embasamento técnico da Medida Provisória 571/12, que altera o novo Código Florestal (Lei 12.651/12). Em audiência pública sobre o assunto na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, deputados ruralistas apontaram incongruências no texto encaminhado ao Congresso para suprir lacunas deixadas pelos vetos ao código.

Um dos autores do pedido para realização do debate, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), articula mudanças para a votação da MP no Plenário, para que volte aos estados a prerrogativa de criar planos de regularização ambiental.

O deputado também questiona as regras diferentes de preservação da MP para recuperar a vegetação às margens de rios, conforme o tamanho da propriedade e não pelas características dos cursos d`água. "O código é florestal ou é fundiário? A margem do rio precisa de proteção, independentemente do tamanho da propriedade ao lado da margem do rio."

Pela MP, no entorno de nascentes e olhos d`água perenes, a recomposição de mata nativa deve ser feita entre 5 e 15 metros, dependendo do tamanho da propriedade e da largura do rio.

Insegurança jurídica
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Antonio Herman Benjamin afirmou que a inclusão do conceito de perenidade de nascentes no novo Código Florestal e a manutenção deste princípio na MP podem trazer insegurança jurídica.

De acordo com Herman Benjamin, nenhum outro dispositivo legal brasileiro que trata da água diferencia tipos de nascentes, com regras diversas para sua preservação. "Como o produtor vai provar a diferença? Isso gera um custo para o proprietário e traz insegurança jurídica", defendeu.

Já o pesquisador da Embrapa Hortaliças Celso Moretti defendeu a flexibilidade das regras de recomposição de áreas de preservação ambiental (APPs) às margens de rios para os pequenos produtores. Segundo ele, a maioria dos produtores de hortaliças está em pequenas propriedades, onde é comum a presença de cursos d`água. Com as novas regras, na avaliação do pesquisador, pequenos e médios proprietários têm mais segurança jurídica para trabalhar.

Pousio da terra
O deputado Abelardo Lupion (DEM/PR), também autor do pedido para a audiência, questionou ainda o limite de cinco anos para pousio da terra previsto nas novas regras. "Que direito eu tenho de dizer isso sem deixar uma janela para que pesquisadores e cientistas digam o que é preciso fazer futuramente, a partir de doenças ou defensivos que exijam pousio maior?", questionou.

O ministro Herman Benjamin alertou para o momento de negociação da MP no Congresso. Na opinião do magistrado, os parlamentares têm nas mãos a possibilidade de clarificar o texto, que, segundo ele, ainda mantém fragilidades jurídicas, como na definição de nascentes e olhos d'água. "Nós, juízes, entendemos que não somos nós que devemos ter essa tarefa de esclarecer aquilo que está na lei e que deveria estar bem redigido na lei."

Possibilidade de acordo
Para o presidente da comissão especial mista que analisa a MP 571/12, deputado Bohn Gass (PT-RS), será possível encontrar um meio termo nas negociações sobre a medida provisória. "Precisamos oferecer um relatório que dê tranquilidade para quem quer produzir, mas, ao mesmo tempo, a necessária proteção ambiental, principalmente na questão das águas."

O relator revisor da MP 571/12, deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), acredita na possibilidade de acordo sobre a matéria. "Quero contribuir para uma legislação que leve segurança ao campo e preserve o meio ambiente", afirmou.

Votação
A previsão é que a MP seja votada na comissão especial até 10 de julho. O relator, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), deve apresentar o parecer na próxima quarta-feira (4).

 

Reportagem - Ana Raquel Macedo
Edição – Regina Céli Assumpção

Foto/Fonte: Agência Câmara de Notícias
 
 


 

Notícias

Ressarcimento de gastos médicos

Unimed não pode rescindir contrato unilateralmente (01.03.11) A 5ª Câmara de Direito Civil do TJ de Santa Catarina confirmou parcialmente sentença da comarca de Itajaí e condenou a Unimed Litoral ao ressarcimento de gastos médicos efetuados por uma conveniada que não fora informada sobre a rescisão...

Direito de ter acesso aos autos

Segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 Indiciado em ação penal há quase 10 meses reclama direito de acesso aos autos Denunciado perante a 2ª Vara Federal de Governador Valadares (MG) por supostamente integrar uma quadrilha acusada de desvio de verbas destinadas a obras municipais – como construção...

Autorização excepcional

28/02/2011 - 14h14 DECISÃO Avô que vive com a filha e o neto consegue a guarda da criança A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu ao avô de uma criança, todos moradores de Rondônia, a guarda consensual do menor, por entender que se trata de uma autorização excepcional. O...

A prova da morte e a certidão de óbito

A PROVA DA MORTE E A CERTIDÃO DE ÓBITO José Hildor Leal Categoria: Notarial Postado em 18/02/2011 10:42:17 Lendo a crônica "Um mundo de papel", do inigualável Rubem Braga, na qual o autor critica com singular sarcasmo a burocracia nas repartições públicas, relatando acerca de um suplente de...

Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança

Extraído de AnoregBR Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança Seg, 28 de Fevereiro de 2011 08:54 O objetivo era extinguir uma reclamação trabalhista com o mandado de segurança, mas, depois dos resultados negativos nas instâncias anteriores, as empregadoras também tiveram seu...

O mercado ilegal de produtos

27/02/2011 - 10h00 ESPECIAL Decisões judiciais imprimem mais rigor contra a pirataria “Receita continua a fiscalizar comércio irregular em São Paulo.” “Polícia estoura estúdio de pirataria e apreende 40 mil CDs e DVDS.” “Quadrilha tenta pagar propina de R$ 30 mil e é desarticulada.” Todas essas...