Cartórios podem negar o registro de nomes no Brasil?

Cartórios podem negar o registro de nomes no Brasil?

Daniele de Faria Ribeiro Gonzaga

Lei 6.015 esclarece que o oficial de registro civil não registrará prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023
Atualizado às 07:49

No início deste ano, o cantor Seu Jorge teve, inicialmente, o pedido negado pelo 28º Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, em São Paulo, de registrar o nome do seu filho de "Samba". Após repercussão nacional, o pedido foi reavaliado e o nome foi autorizado. Apesar da rápida resolução, o caso gerou uma série de dúvidas, dentre elas se os cartórios podem, pela lei, negar o registro de nomes, ainda que os genitores estejam de acordo com o prenome escolhido.

A lei 6.015 de 31 de Dezembro de 1973, conhecida como a Lei dos Registros Públicos, afirma, em seu Artigo 55, que "toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome, observado que ao prenome serão acrescidos os sobrenomes dos genitores ou de seus ascendentes". Em continuidade, no parágrafo 1º, é esclarecido que o oficial de registro civil não registrará prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores.

Em primeira análise, o oficial de registro civil avaliou que o nome Samba poderia causar algum tipo de constrangimento na criança. Além disso, este é um prenome que, até então, nunca havia sido registrado em São Paulo, argumento que favorece a decisão da negativa. É válido ressaltar que não há uma lista de nomes passíveis de registro ou não registro. A premissa de negar registros de nomes que possam expor o recém-nascido em algum momento de sua vida visa resguardar esta criança de possíveis problemas futuros, incluindo, por exemplo, nomes como palavrões ou outras expressões ofensivas.

Quando os genitores não se conformarem com a recusa do oficial, a Lei dos Registros Públicos  frisa que eles devem submeter o pedido por escrito à decisão do juiz competente, independentemente da cobrança de quaisquer emolumentos. No caso Seu Jorge, a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo confirmou a autorização, em nota, salientando que diante das razões apresentadas, que envolvem a preservação de vínculos africanos e de restauração cultural com suas origens, assim como o estudo de caso que mostrou a existência deste nome em outros países, formou-se o convencimento pelo registro do nome escolhido.

O caso do cantor nos leva a refletir sobre a importância da escolha do nome por parte dos genitores, que devem estar convictos de sua decisão e como ela pode impactar a vida dos filhos. No final de junho de 2022, foi aprovada a lei Federal 14.382, conhecida como a Lei de Registros Públicos que tornou possível a alteração do nome do recém-nascido até 15 dias após o registro. Assim, caso o pai registre o filho com um nome indevido, quando a mãe ainda está na maternidade, por exemplo, a legislação oportuniza a alteração, desde que em comum acordo.

Mais uma prova de que a justiça está atenta a este aspecto do registro civil dos recém-nascidos, uma vez que nomes são fatores importantes de identidade, que acompanharão o ser por toda a sua trajetória, que precisa ser escolhido de forma que traga bem-aventurança e satisfação ao seu portador.

Daniele de Faria Ribeiro Gonzaga
Sócia do escritório Jacó Coelho Advogados.

Fonte: Migalhas

Notícias

Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança

Extraído de AnoregBR Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança Seg, 28 de Fevereiro de 2011 08:54 O objetivo era extinguir uma reclamação trabalhista com o mandado de segurança, mas, depois dos resultados negativos nas instâncias anteriores, as empregadoras também tiveram seu...

O mercado ilegal de produtos

27/02/2011 - 10h00 ESPECIAL Decisões judiciais imprimem mais rigor contra a pirataria “Receita continua a fiscalizar comércio irregular em São Paulo.” “Polícia estoura estúdio de pirataria e apreende 40 mil CDs e DVDS.” “Quadrilha tenta pagar propina de R$ 30 mil e é desarticulada.” Todas essas...

A idade mínima para ser juiz

  Juízes, idade mínima e reflexos nas decisões Por Vladimir Passos de Freitas A idade mínima para ser juiz e os reflexos no comportamento e nas decisões é tema tratado sem maior profundidade. As Constituições de 1824 e de 1891 não fixaram idade mínima para ser juiz. Todavia, o Decreto 848,...

Quando o anticoncepcional falha

Quando o anticoncepcional falha (25.02.11) O TJ de Santa Catarina decidiu que uma indústria Germed Farmacêutica Ltda. deve continuar pagando pensão de um salário mínimo mensal - mesmo enquanto apelação não é julgada - a uma mulher da cidade de Navegantes que teria engravidado apesar de utilizar...

Credores não habilitados

Extraído de AnoregBR Concordatária tem direito ao levantamento de valores que estão depositados à disposição de credores não habilitados Sex, 25 de Fevereiro de 2011 13:53 A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a empresa Ferragens Amadeo Scalabrin Ltda. tem direito ao...

Direito de Família

  Leis esparsas e jurisprudência geram novas tendências Por Caetano Lagrasta   O Direito de Família é atividade jurídica em constante evolução, ligada aos Costumes e que merece tratamento diferenciado por parte de seus lidadores. Baseado no Sentimento, no Afeto e no Amor, merece soluções...