Secretário de Reforma do Judiciário prega prioridade para meios alternativos de resolução de conflitos

Secretário de Reforma do Judiciário prega prioridade para meios alternativos de resolução de conflitos

Publicado em: 24/11/2014

O secretário de Reforma do Judiciário, Flávio Crocce Caetano, ao proferir palestra nesta quinta-feira (20), destacou a pesquisa “Justiça em Números”, realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para afirmar que, mesmo com quase dois milhões de pessoas ligadas direta ou indiretamente à justiça, atende-se mal à jurisdição.

A Secretaria de Reforma do Judiciário, ligada ao Ministério da Justiça, coordena ações para melhoria dos serviços judiciários e propõe medidas para modernizar a justiça do país. A palestra inaugurou o seminário “Como a mediação e a arbitragem podem ajudar no acesso e na agilização da Justiça?”, que segue nesta sexta-feira no Conselho da Justiça Federal (CJF), com apoio do Superior Tribunal de Justiça.

“Se nós estabelecermos sistemas, redes, colocarmos as faculdades de direito, trouxermos a Ordem dos Advogados do Brasil e magistrados e membros do Ministério Público aposentados, mas que querem trabalhar, teremos um exército para ser utilizado”, afirmou Caetano.

O secretário também destacou que há uma taxa histórica de congestionamento de processos de 70% do estoque de ações. Isso quer dizer que de cada dez processos aguardando julgamento, apenas três são solucionados. Caetano advertiu que a taxa não diminui, apesar do trabalho intenso dos magistrados, que proferem cerca de seis sentenças por dia. “É um trabalho árduo, profícuo, mas o estoque não para de crescer”, lamentou.

Problemas principais

Caetano ressaltou que os problemas da justiça brasileira persistem. Segundo ele, o principal é a morosidade. “Nós podemos dizer, sem medo de errar, que um processo demora, pelo menos, dez anos para ser concluído. É uma média que não orgulha ninguém. Nesse tempo, muita coisa acontece. A justiça que tarda, falha”, disse o secretário.

Outro problema é o excesso de litigiosidade. “Dos milhões de processos que estão tramitando no país, a maioria está concentrada em três grandes corporações: o poder público, com 51% das demandas; o sistema bancário, com 38%; e, por último, as empresas de telefonia, com 6%”, explicitou Caetano. A soma desses três setores alcança 95% dos processos.

O secretário de Reforma do Judiciário revelou que a falta de acesso à justiça chegou a ser medida pelo governo. “Nossa percepção é a de que, embora o Brasil viva um excesso de litígios, com 95 milhões de processos em andamento, ainda há muita gente sem acesso à justiça. Quando se fala em acesso à justiça, remete-se ao Poder Judiciário. Mas, muitas vezes, esse acesso pode se dar por mediação extrajudicial. O que importa é que a pessoa que tem um direito violado possa reclamar esse direito. No Judiciário ou fora dele”, afirmou.

Para Caetano, é preciso abolir a cultura do litígio, do processo, e partir para o consenso, a transação, o diálogo. “O Brasil está atrasado nisso. Começamos com a arbitragem, uma lei que já completou 15 anos e está sendo modernizada, mas, com relação à mediação, estamos atrasados”, destacou.

Iniciativas

Flávio Caetano assinalou, ainda, que a Secretaria de Reforma do Judiciário estabeleceu iniciativas para a melhoria da prestação jurisdicional. A primeira delas foi a criação da Escola Nacional de Mediação e Conciliação, que já funciona há dois anos e qualificou mais de oito mil pessoas.

A secretaria também lançou, em junho deste ano, a Estratégia Nacional de Prevenção de Litígios, que tem dois eixos: um público – que congrega AGU, INSS, CEF, BB - e outro, privado – bancos, telefonia, varejo e empresas de saúde. A estratégia traz uma série de propostas do Ministério da Justiça para que seja reduzida a litigância entre as empresas, o governo e os consumidores brasileiros.

Segundo Caetano, outra iniciativa trabalhada é a mudança nas diretrizes curriculares dos cursos de Direito. “Queremos aprovar como conteúdo obrigatório os meios alternativos de resolução de conflitos. O estudante precisa saber que é possível ter o litígio, mas também o consenso, o acordo, a mediação. Queremos estender esses conteúdos para os concursos de carreiras jurídicas”, revelou.

Por último, o secretário destacou a necessidade de aprovação do marco legal da mediação. “É fundamental que tenhamos uma lei que trate da mediação como um todo, que estabeleça como deve ser fora e dentro da justiça. Nós estamos em um momento histórico para o país. Queremos ver sancionados o marco legal da mediação [PL 7.169/2014] e o aprimoramento da arbitragem [PL 7.108/2014] para mudarmos a cultura de litígio que vigora no Brasil”, afirmou Caetano
.

Fonte: STJ
Extraído de Recivil

Notícias

STJ não conhece recurso sobre caução em penhora por falta de impugnação

STJ não conhece recurso sobre caução em penhora por falta de impugnação 4ª turma manteve decisão sem analisar mérito por óbices processuais. Da Redação quarta-feira, 15 de abril de 2026 Atualizado às 11:09 A 4ª turma do STJ, por unanimidade, não conheceu de recurso especial em caso que discutia a...

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano Letícia Furlan Repórter de Mercados Publicado em 11 de abril de 2026 às 14h00. Entre os recortes analisados, o destaque está nas gerações mais jovens. A geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, lidera a intenção de compra, com 59%...

Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil

Questão de identidade Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil 9 de abril de 2026, 10h38 “O Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4275, que analisou a possibilidade de alteração do prenome e do sexo no registro civil de pessoa transgênero, assentou...