Advogado alerta para inconstitucionalidade de retenção de dados de usuários de internet

Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

Marco civil determina que provedores de conexão guardem dados por um ano; provedores de acesso, por seis meses

06/10/2015 - 22h52

Advogado alerta para inconstitucionalidade de retenção de dados de usuários de internet

O professor da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Ronaldo Lemos alertou para a inconstitucionalidade da retenção de dados de usuários de internet. O tema foi debatido, nesta terça-feira (6), em audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Cibernéticos que discutiu os direitos individuais relacionados a privacidade, intimidade, honra e imagem.

Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Audiência Pública. Advogado, Professor da Faculdade de Direito da UERJ, Ronaldo Lemos
Lemos: o modelo de guarda de dados dos internautas, previsto no Marco Civil está em desacordo com o praticado em boa parte do mundo, sobretudo na Europa.

Lemos afirmou que o modelo de guarda de dados dos internautas, previsto no Marco Civil da Internet (Lei 12.965/14), está em desacordo com o praticado em boa parte do mundo, sobretudo na Europa.

O marco civil determina que os provedores de conexão guardem os dados dos usuários por um ano. Para os provedores de acesso, a exigência de retenção é de seis meses, prorrogáveis. A guarda desses dados é fundamental para a investigação de crimes cibernéticos e há pressões, por exemplo, do Ministério Público, para que o prazo de retenção seja ampliado.

Modelo europeu
No entanto, Lemos lembra que vários países - como Alemanha, Áustria e Finlândia - já aboliram o modelo por recomendação judicial. "Esse modelo de retenção de dados surgiu com o terrorismo de 11 de setembro (de 2001). Essa diretiva vigorou a partir de 2006, mas foi julgada inconstitucional pela Corte Europeia de Justiça em abril de 2014, porque interfere, de forma especialmente séria, em direitos fundamentais relacionados ao respeito à vida privada e à proteção de dados pessoais.”

O advogado enfatizou que os dados retidos são utilizados sem que o usuário sequer saiba a gravidade dessa situação. “E tem o efeito de fazer com que os cidadãos tenham suas vidas privadas sujeitas à vigilância constante".

Repressão
Lemos avaliou que o Marco Civil da Internet já consegue conciliar a repressão aos crimes cibernéticos com a liberdade de expressão do usuário. Ele sugere que esse equilíbrio seja mantido em eventuais revisões, a fim de não prejudicar direitos fundamentais.

Ronaldo Lemos acrescentou que, ao se regulamentar a internet, deve-se ter em mente todo "o ecossistema da infraestrutura de acesso à informação. O Brasil está no momento de optar por cadeias ou por empregos".

O advogado citou dados que mostram que a internet tem potencial para fomentar o desenvolvimento econômico e social do País, sobretudo em tempos de crise: geração de emprego em alta; aporte de 150 milhões de dólares para empresas startups (comandadas por jovens empresários), nos últimos três meses; e crescimento de 20% no comércio eletrônico, nos últimos 12 meses, apesar de apenas metade da população brasileira estar conectada à internet.

Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Audiência Pública. Dep. Odelmo Leão (PP-MG)
Odelmo Leão: aqui ficou uma recomendação clara a essa CPI de que o Marco Civil da Internet não deve ser tocado, mas implementado.

A diretora jurídica da Associação Brasileira de Internet, Charlene Nagae, e o secretário de Política de Informática do Ministério de Ciência e Tecnologia, Virgílio Almeida, também sugeriram cautela quanto a eventuais mudanças no marco civil, conforme sintetizou o deputado Odelmo Leão (PP-MG), um dos promotores da audiência pública. "Na minha análise, todos foram convergentes, inclusive sobre o marco civil. Aqui ficou uma recomendação clara a essa CPI de que ele não deve ser tocado, mas implementado".

Treinamento
Em resposta ao deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA) sobre como melhorar o treinamento dos policiais no combate aos crimes cibernéticos, Virgílio Almeida sugeriu uma estratégia já adotada pelo Comitê Gestor de Internet (CGI) com a Justiça e o Ministério Público: a aproximação e o intercâmbio de experiências por meio de seminários. "É importante para explicarmos as características de governança da internet e os aspectos técnicos do marco civil, por exemplo", opinou.

Na reunião, os palestrantes também defenderam o aumento dos investimentos nos sistemas de defesa e segurança da internet.

Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição – Regina Céli Assumpção
Agência Câmara Notícias
 

 

Notícias

Apresentar RG falso não é ato de autodefesa

Extraído de JusBrasil Apresentar RG falso não é ato de autodefesa Extraído de: Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo - 12 horas atrás O ato de falsificar a carteira de identidade não pode ser interpretado como uma forma de autodefesa. Foi o que entendeu a 1ª Câmara...

Pacotes de viagens

  Nas compras pela Web, vale direito de arrependimento O Artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), garante Ferri Júnior, assegura ao consumidor o direito de reflexão nos casos de compra de um produto fora do estabelecimento comercial por meio dos correios, internet, telefone ou...

JT determina validade de assinatura digital em petição protocolada pela União

JT determina validade de assinatura digital em petição protocolada pela União Extraído de: Portal Nacional do Direito do Trabalho - 1 hora atrás A Turma Recursal de Juiz de Fora considerou válida a assinatura digital utilizada por advogado da União para assinar petição inicial em processo de...

Criminalistas afirmam: PEC dos Recursos viola a presunção de inocência

Extraído de Portal do Holanda 16 de Maio de 2011 Criminalistas afirmam: PEC dos Recursos viola a presunção de inocência - O argumento do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cesar Peluso, de que se tivesse sido aprovada, nos últimos dois anos, a PEC dos Recursos só teria prejudicado...

A "PEC do Peluso" está na mira dos juristas

Extraído de DireitoNet Juristas são contra PEC dos Recursos 16/mai/2011 Fonte: OAB - Conselho Federal A "PEC do Peluso" está na mira dos juristas. Os maiores advogados do país abriram guerra contra a proposta de emenda à Constituição que altera os artigos 102 e 105 da Carta para transformar os...