Governo defende simplificação e agilidade em processos licitatórios

15/04/2015 - 18h58

Governo defende simplificação e agilidade em processos licitatórios

O diretor do Departamento de Logística do Ministério do Planejamento, Diogo da Fonseca Tabalipa, defendeu, nesta quarta-feira (15), a simplificação dos processos licitatórios. “O rito é pesado, tanto para fornecedores, quanto para o governo. É preciso otimizar o trâmite e focar nos resultados”, disse, em audiência pública da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa mudanças na Lei de Licitações (8.666/93).

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública. Diretor do Departamento de Logística da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Diogo da fonseca Tabalipa
Diogo da Fonseca Tabalipa: "A regra tem sido a dispensa de licitação, o que significa que algo está errado"
 

Tabalipa informou que, em 2014, 82% do total de processos de licitações na administração pública federal conseguiram obter recurso para a dispensa de licitação. “A regra tem sido a dispensa, o que significa que algo está errado”, reiterou.

Segundo o diretor, foram gastos no ano passado R$ 62 bilhões em compras na administração pública federal e, desse total, R$ 25 bilhões foram feitos a partir de dispensa ou inexigibilidade de licitação.

RDC
O coordenador-geral de cadastro e licitação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Arthur Luís Pinho de Lima, defendeu o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC - Lei 12.462/11), que prevê responsabilidade compartilhada entre empresas e poder público.

De acordo com Lima, pela licitação convencional, nunca se sabe o valor final da obra, porque sempre há algum aditivo. Já no caso do RDC, argumentou ele, não há aditivos, embora os custos possam ser um pouco maiores. “O que é melhor? Não ter aditivos ou não saber o custo final da obra?”, ponderou.

Para justificar sua preferência pelo RDC, Arthur Lima deu exemplo de uma ponte em construção no Rio Guaíba (RS). Conforme o coordenador-geral, quando o processo começou ainda não havia o regime diferenciado, e a licitação estabeleceu que o projeto executivo seria entregue em janeiro de 2015. “No meio do processo, mudou-se para o RDC, e hoje a obra já está em andamento. Pela Lei 8.666/93, o processo ainda estaria sendo analisado pelo Dnit”, explicou.

Transparência
JArquivo/Gabriela Korossy

Nelson Marchezan Junior
Nelson Marchezan Junior questionou a transparência do sistema de contratações via regime diferenciado.
 

á o deputado Nelson Marchezan Junior (PSDB-PR), que solicitou a audiência pública, questionou a transparência do sistema de contratações de obras públicas via RDC.

"Hoje, não consigo entrar em um site e ver o custo individual da obra ou da aquisição de um produto. Não consigo, por exemplo, acessar e saber o custo de uma caneta usada por um juiz ou por uma professora”, relatou. Na avaliação de Marchezan, o RDC é mais ágil na contratação da obra, mas a sua execução é mais lenta do que na 8.666/93.

Cartéis
Por sua vez, o relator da comissão, deputado Mário Heringer (PDT-MG), afirmou que o RDC favorece a formação de cartéis. “Precisamos criar um País que funcione. Atualmente, quem faz esse tipo de contratação tem informação privilegiada”, criticou.

Para ele, é importante elaborar uma lei que contemple um controle maior dos processos administrativos.

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Marcelo Oliveira
Origem da Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias
 

 

Notícias

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano Letícia Furlan Repórter de Mercados Publicado em 11 de abril de 2026 às 14h00. Entre os recortes analisados, o destaque está nas gerações mais jovens. A geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, lidera a intenção de compra, com 59%...

Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil

Questão de identidade Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil 9 de abril de 2026, 10h38 “O Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4275, que analisou a possibilidade de alteração do prenome e do sexo no registro civil de pessoa transgênero, assentou...

Testamento estrangeiro com bens no Brasil: Por que o STJ negou a homologação?

Testamento estrangeiro com bens no Brasil: Por que o STJ negou a homologação? Adriana Ventura Maia Supremo decide que bens no Brasil exigem inventário nacional, mesmo com testamento estrangeiro, reforçando a soberania e a segurança jurídica sucessória. quinta-feira, 9 de abril de 2026 Atualizado em...

Crédito com garantia de imóvel atrai tomadores

02/04/2026 Crédito com garantia de imóvel atrai tomadores Embora a modalidade esteja em expansão, ainda há espaço para crescimento, aponta Abecip Conhecido como home equity, o crédito com garantia de imóvel tem sido cada vez mais utilizado no mercado financeiro nacional. Dados da Associação...