Impasse adia mais uma vez entrega do novo Código Florestal

17/04/2012 19:13

Impasse com Planalto adia mais uma vez entrega do novo Código Florestal

 

Luiz Cruvinel
Paulo Piau

Segundo Paulo Piau, ainda há divergências sobre "uns oito pontos" do texto.

Prevista para a tarde de ontem, a entrega da nova versão do relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) ao projeto de reforma do Código Florestal (PL 1876/99) foi novamente adiada. De acordo com o relator, o texto está praticamente pronto, mas ainda permanecem divergências com o governo sobre três pontos – a utilização de vegetações litorâneas, o comércio de plantas nativas e a consolidação das áreas de preservação permanente (APPs).

Segundo Piau, o Planalto quer detalhar no próprio corpo da nova lei as atividades produtivas que podem ser desenvolvidas nesses biomas. “Nós queremos remeter essa utilização para o zoneamento da zona costeira, mas o governo que burocratizar muito essa utilização”, explicou Piau.

Na semana passada, Piau havia manifestado sua intenção de divulgar o relatório apenas na véspera da votação em Plenário. Ele avaliou não ser “conveniente soltar o texto com tanta antecedência porque os radicais produtores e os radicais ambientalistas, que a imprensa escuta, detonam o relatório durante a semana, e isso não está correto porque apenas uma minoria detonou o relatório, em detrimento de uma maioria que a imprensa, via de regra, não escuta".

Votação dia 24
Apesar desses impasses, o relator mantém-se confiante na votação do projeto na próxima semana, nos dias 23 e 24. “O texto está praticamente pronto e a votação na semana que vem, garantida”, sustentou. O mesmo garantiu o líder do PT, deputado Jilmar Tatto (SP). “A votação na semana que vem é compromisso do presidente Marco Maia, e quem tiver maioria leva no Plenário”, afirmou.

Marco Maia reafirmou o compromisso de manter a votação na semana que vem. “A bancada ruralista pediu o adiamento da entrega do texto porque há ainda divergências sobre alguns pontos, mas ele vai à votação no dia 24”.

De acordo com Tatto, “o posicionamento primeiro do partido” é favorável à aprovação do texto do Senado. Mas isso, segundo disse, vai depender do parecer final do relator. “A bancada vai se posicionar conforme o mérito, em favor do que for melhor para o País”, ressalvou.

APPs
Quanto à consolidação das atividades produtivas em APPs de margens de rios, o relator afirmou que “a tendência” é retirar do texto a definição das faixas a serem recompostas. O texto do Senado define que, para rios com mais de 10 metros de largura, a vegetação deve ser recuperada em uma extensão entre 30 e 100 metros.

Veja infográfico com as diferenças entre os textos da Câmara e do Senado.


A ideia agora é que esse assunto seja tratado em nova proposta legislativa. Na opinião de Piau, o ideal é que isso ocorra por meio de projeto de lei, mas pode ser que o assunto seja resolvido por medida provisória.

Quanto aos rios de leitos de até 10 metros, os dois textos – da Câmara e do Senado – obrigam os produtores a recompor a vegetação em faixas com 15 metros de largura. Nessa fase do processo legislativo, essa determinação não pode mais ser alterada.

 

Íntegra da proposta:

Reportagem - Maria Neves
Edição - Maria Clarice Dias

Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara de Notícias

 

Notícias

Código Civil permite reconhecimento de parentesco socioafetivo entre irmãos

Prova de carinho Código Civil permite reconhecimento de parentesco socioafetivo entre irmãos 21 de abril de 2026, 8h53 O juiz, por sua vez, entendeu que é possível estabelecer parentesco a partir de outras origens, além da consanguínea, como a afetividade — o que é assegurado pelo artigo 1.593 do...

STJ não conhece recurso sobre caução em penhora por falta de impugnação

STJ não conhece recurso sobre caução em penhora por falta de impugnação 4ª turma manteve decisão sem analisar mérito por óbices processuais. Da Redação quarta-feira, 15 de abril de 2026 Atualizado às 11:09 A 4ª turma do STJ, por unanimidade, não conheceu de recurso especial em caso que discutia a...