Justiça de Goiás admite ação de divórcio com guarda e alimentos mesmo com filho residindo no exterior

Justiça de Goiás admite ação de divórcio com guarda e alimentos mesmo com filho residindo no exterior

27/05/2025
Fonte: Assessoria de Comunicação do IBDFAM (com informações do Migalhas)

A 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás – TJGO reconheceu, por unanimidade, a possibilidade de tramitação, em Goiânia, de ação de divórcio cumulada com guarda e alimentos, mesmo com o filho do ex-casal residindo com o pai nos Estados Unidos.

A decisão reformou a sentença que havia declarado a incompetência absoluta do juízo brasileiro para analisar os pedidos relativos ao filho menor de idade. O colegiado seguiu o voto do relator, que destacou a possibilidade de flexibilização da regra prevista no artigo 147, inciso I, do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, com base no princípio do melhor interesse da criança e do adolescente.

No caso em questão, os genitores se casaram em 2002 e tiveram dois filhos. A família viveu por anos entre o Brasil e os Estados Unidos. Em 2023, a mãe retornou ao Brasil e manifestou o desejo de se divorciar, enquanto o pai permaneceu com o filho de 16 anos nos Estados Unidos, onde o adolescente segue estudando e expressou o desejo de permanecer.

A ação foi ajuizada pela mãe na 7ª Vara de Família de Goiânia, mas o juízo de primeiro grau declarou-se incompetente para julgar os pedidos de guarda, convivência e alimentos, por entender que o domicílio do adolescente era o dos Estados Unidos.

O pai interpôs agravo de instrumento, requerendo a flexibilização da regra de competência, com base na tramitação eletrônica dos processos e na possibilidade de realização de audiências por videoconferência, sem prejuízo às partes.

Também pleiteou a fixação de alimentos provisórios no valor de 30% do salário mínimo, a concessão da guarda provisória e a regulamentação da convivência com a mãe durante as férias escolares, por 15 dias a um mês. Alternativamente, sugeriu que o convívio ocorresse nos Estados Unidos, conforme acordo entre as partes.

Flexibilização

Ao votar, o relator destacou que, apesar da regra de competência do artigo 147, I, do ECA, situações excepcionais autorizam sua relativização, conforme a Súmula 383 do Superior Tribunal de Justiça – STJ.

Ele ressaltou que tanto a Constituição Federal (art. 227) quanto o ECA (art. 4º) estabelecem como prioridade absoluta os direitos fundamentais da criança e do adolescente, o que impõe ao Judiciário a adoção de medidas que melhor atendam à sua proteção integral.

“A aplicação do princípio do melhor interesse do menor justifica a flexibilização da regra de competência, especialmente quando sua observância estrita possa comprometer a efetiva proteção dos direitos da criança ou do adolescente”, afirmou no voto.

O acórdão reconheceu que, diante da guarda de fato exercida no exterior, da residência da mãe no Brasil e da viabilidade dos atos processuais por meio eletrônico, a tramitação da demanda em Goiânia se mostra mais adequada e sem prejuízo ao contraditório e à ampla defesa.

O TJGO não apreciou os pedidos de mérito sobre guarda, alimentos e convivência, por entender que isso implicaria supressão de instância, uma vez que o juízo de origem ainda não havia se pronunciado.

A decisão limitou-se a reformar a declaração de incompetência e a determinar o regular prosseguimento do processo na 7ª Vara de Família de Goiânia.

Processo 5090013-04.2025.8.09.0051

Fonte: IBDFAM

                                                                                                                            

Notícias

A idade mínima para ser juiz

  Juízes, idade mínima e reflexos nas decisões Por Vladimir Passos de Freitas A idade mínima para ser juiz e os reflexos no comportamento e nas decisões é tema tratado sem maior profundidade. As Constituições de 1824 e de 1891 não fixaram idade mínima para ser juiz. Todavia, o Decreto 848,...

Quando o anticoncepcional falha

Quando o anticoncepcional falha (25.02.11) O TJ de Santa Catarina decidiu que uma indústria Germed Farmacêutica Ltda. deve continuar pagando pensão de um salário mínimo mensal - mesmo enquanto apelação não é julgada - a uma mulher da cidade de Navegantes que teria engravidado apesar de utilizar...

Credores não habilitados

Extraído de AnoregBR Concordatária tem direito ao levantamento de valores que estão depositados à disposição de credores não habilitados Sex, 25 de Fevereiro de 2011 13:53 A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a empresa Ferragens Amadeo Scalabrin Ltda. tem direito ao...

Direito de Família

  Leis esparsas e jurisprudência geram novas tendências Por Caetano Lagrasta   O Direito de Família é atividade jurídica em constante evolução, ligada aos Costumes e que merece tratamento diferenciado por parte de seus lidadores. Baseado no Sentimento, no Afeto e no Amor, merece soluções...

É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra

24/02/2011 - 10h16 DECISÃO É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra Interceptações telefônicas autorizadas em diferentes operações da Polícia Federal não podem ser consideradas ilegais. Essa foi a decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao...

Estatuto da família

  Deveres do casamento são convertidos em recomendações Por Regina Beatriz Tavares da Silva   Foi aprovado em 15 de dezembro de 2010, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, um projeto de lei intitulado Estatuto das Famílias (PL 674/2007 e...